Cartões de Crédito em Portugal: Comparação de Anuidades e TAEG (2026)

Em setembro de 2026, os cartões de crédito vendidos em Portugal custam entre 10,6 % e 18,5 % de TAEG — e mais de metade está exatamente no máximo legal de 18,5 % fixado pelo Banco de Portugal. A diferença real entre eles está noutro lado: na anuidade (de 0 € a 60 €), no período sem juros (20 a 50 dias), no cashback (5 % a 1 %, quase sempre limitado a 10 € por mês) e nas comissões de câmbio e de levantamento. Este guia compara 14 cartões com os valores dos preçários e das fichas de informação normalizada (FIN) dos emitentes, explica o que significa cada número e onde estão as armadilhas — sem lhe dizer qual deve escolher. Informação verificada a 5 de setembro de 2026.

Em resumo

  • Teto legal: TAEG máxima de 18,5 % para cartões de crédito no 3.º trimestre de 2026 (Banco de Portugal). Universo+, Cetelem, bankintercard, CGD Gold, BPI Gold+, novobanco Gold e Platinum e Santander Gold estão no teto.
  • TAEG mais baixas: novobanco Branco 10,6 % (TAN 0 %, paga-se a anuidade), Millennium Classic 15,4 %, ABANCA Silver 15,7 %, Santander 16,0 %, BPI Classic 16,1 %.
  • Sem anuidade, sem condições: Universo+, Unibanco Clássico, Cetelem Black Plus, bankintercard Gold, ActivoBank Classic.
  • Cashback: Universo+ 5 % nas lojas Sonae e 1 % no resto (máx. 120 €/ano); Cetelem 3 % em seis setores (máx. 120 €/ano); bankintercard 3 % só nos primeiros 12 meses (máx. 60 €); Unibanco até 200 € no 1.º ano.
  • Compras online em moeda estrangeira: os bancos cobram 1,35 % a 3,75 % de câmbio; Revolut, Wise e N26 (cartões de débito, não de crédito) cobram 0 % dentro de limites.
  • O que diz a DECO Proteste: metade dos 52 cartões testados cobra a taxa máxima; para quem paga a 100 % a escolha é o ABANCA Silver; para quem paga em prestações, o novobanco Branco.

Aviso: este artigo é informativo e não constitui aconselhamento financeiro, recomendação ou oferta de crédito. Um cartão de crédito é um empréstimo: as taxas, comissões e campanhas mudam com frequência — confirme sempre o preçário e a FIN do emitente antes de assinar. Verificado a 5 de setembro de 2026.

Os quatro números que interessam num cartão de crédito

  1. TAEG, não TAN. A TAN é a taxa a que os juros são calculados; a TAEG é o custo total do crédito num ano, incluindo anuidade, comissões, seguros obrigatórios e imposto do selo, e é a única que permite comparar cartões. É por isso que o novobanco Branco tem TAN 0 % e TAEG 10,6 %: a anuidade de 27,50 € entra na conta. A TAEG publicitada é sempre um exemplo (quase todos os emitentes usam 1.500 € a 12 meses) — o seu valor real depende do limite, do prazo e de pagar ou não a 100 %.
  2. Anuidade (ou “comissão de disponibilização”). Vai de 0 € a 60 € por ano, mais 4 % de imposto do selo. Muitos bancos isentam-na com condições — conta pacote, compras mínimas mensais ou só no primeiro ano — e voltam a cobrá-la no ano seguinte sem aviso.
  3. Período sem juros. Entre a compra e a data de pagamento do extrato há 20 a 50 dias em que não paga juros, desde que liquide 100 % do saldo. Quem paga a 100 % todos os meses transforma o cartão num instrumento gratuito (ou com o custo da anuidade); quem paga menos entra no crédito revolving à TAEG do contrato.
  4. Pagamento mínimo. É a percentagem do saldo que o banco exige por mês — 2 % no Universo, 3 % no Unibanco e no Bankinter, 5 % na CGD, com mínimos de 7,50 € a 25 €. É a maneira mais cara de usar o cartão: segundo a simulação da ComparaJá, 1.300 € em dívida pagos a 5 % por mês demoram 57 meses a liquidar e custam 296 € de juros.

Comparação de cartões de crédito em Portugal (setembro de 2026)

Valores dos preçários e FIN em vigor a 5 de setembro de 2026. TAN/TAEG são os exemplos representativos publicados por cada emitente (1.500 € a 12 meses, salvo indicação); “n/d” significa que o emitente não publica o valor na página consultada. IS = imposto do selo (4 % sobre comissões e juros).

CartãoAnuidade / comissão de disponibilizaçãoTAN / TAEG (exemplo 1.500 €, 12 meses)Dias sem jurosCashback e extrasNotas
Universo+ (Sonae)0 €18,00 % / 18,5 %≈ 30 dias (Fim do Mês)5 % Continente e Meu Super, 1 % restante; máx. 10 €/mêsSem anuidade; cashback só nas lojas Sonae compensa
Unibanco Clássico (Visa)0 €18,40 % / 18,9 %*20 a 50 diasAté 200 € no 1.º ano; 3× sem juros acima de 150 €Aberto a clientes de qualquer banco; *valor de jan. 2026, confirmar
Cetelem Black Plus0 €14,79 % / 18,5 %n/d3 % em 6 setores; máx. 10 €/mês; seguro de fraude e comprasPagamentos a 3×, 12× ou 24×
Millennium bcp Classic10,40 €/ano (0 € com Cliente Frequente/Prestige)13,30 % / 15,4 %ciclos de 30 diasAvis até 25 %Uma das TAEG mais baixas entre os bancos
CGD Caixa Classic18 € + IS (exemplo do preçário)13,75 % / 17,1 %até 50 diasPrograma Sempre em Caixa; seguros de viagemCaixa Gold: 50 € + IS, TAEG 18,5 %
Santander3 €/mês (2,25 € com ≥ 300 €/mês de compras); 0 € no 1.º ano em campanha10,30 % / 16,0 %até 50 diasSantander Rewards; sem câmbio até 1.000 €/mês até 30/09/2026Gold e Platinum a 18,5 %
BPI Classic0 € com Conta Valor BPI (senão 20 € + IS)12,45 % / 16,1 %20 a 50 diasPrograma Benefícios (contas pacote); Hertz 10 %Gold+: 0 € com Conta Premier, TAEG 18,5 %
novobanco Cartão Branco27,50 €/ano + IS0,00 % / 10,6 %sim (exemplo do preçário)—TAN zero: paga só a anuidade; limite 600 € a 2.000 €
novobanco Verde / Gold / Platinum27,50 €/ano + IS cada13,9 % / 16,4 % · 14,6 % / 18,5 % · 16,25 % / 18,5 %n/d—Gold 1.750 € a 25.000 €; Platinum 15.000 € a 40.000 €
Bankinter BK Goldn/d15,35 % / 18,2 %n/dSeguro de acidentes e assistência em viagemSó clientes Bankinter; limite até 30.000 €
bankintercard Gold (Bankinter Consumer Finance)0 €18,00 % / 18,5 %n/d3 % nos primeiros 12 meses; máx. 5 €/mêsNão exige conta Bankinter; limite até 6.000 €
ActivoBank Classic0 €17,4 % / 17,9 %sem juros se pagar 100 % no mês seguinteiServices 10 %; PestanaCampanha CLASSICZERO: TAN 0 % até 31/12/2026 para novas adesões (1/09–31/10)
ABANCA Silver0 € no 1.º ano; depois n/d12,50 % / 15,7 %n/dSeguros de roubo, fraude e assistência em viagemEscolha da DECO para quem paga a 100 %
Montepio Classic / Gold20 €/ano (0 € com ≥ 150 €/mês de compras) · 60 €/ano (≥ 250 €/mês)n/dn/d—Câmbio 3,75 % fora do euro

Não são cartões de crédito, embora apareçam nas mesmas comparações: o Cartão Continente é um cartão de fidelização (o cashback do Universo+ acumula lá); o Cofidis Pay é pagamento fracionado (BNPL) debitado num cartão que já tenha, e o cartão de crédito Cofidis deixou de ser vendido a novos clientes; Revolut, N26 e Wise emitem cartões de débito ou pré-pagos — a Revolut confirma que não oferece cartão de crédito a residentes em Portugal.

Cartões de crédito sem anuidade

Cinco cartões não cobram anuidade em circunstância alguma: Universo+, Unibanco Clássico, Cetelem Black Plus, bankintercard Gold e ActivoBank Classic. Repare no padrão: quatro dos cinco estão na TAEG máxima (18,5 %) ou acima do exemplo (Unibanco 18,9 %, valor de janeiro de 2026 que já não pode ser praticado com o teto atual) — o emitente ganha nos juros de quem não paga a 100 %. Para quem liquida o extrato todos os meses, são de facto gratuitos.

Sem anuidade com condições: Millennium Classic (Cliente Frequente ou Prestige), BPI Classic (Conta Valor BPI), Montepio Classic (150 € de compras por mês), ABANCA Silver (primeiro ano) e Santander (primeiro ano, em campanha até outubro de 2026). Nestes casos o custo aparece no segundo ano ou no mês em que falha a condição.

Cashback: quanto vale, na prática

  • Universo+: 5 % no Continente e Meu Super, 1 % nas restantes compras, com teto de 10 € por mês (120 € por ano). Quem gasta 200 € por mês no Continente esgota o teto só com o supermercado.
  • Cetelem Black Plus: 3 % em seis setores (restauração, combustíveis, farmácias, entre outros — a lista está no site), também limitado a 10 € por mês.
  • bankintercard Gold: 3 % em tudo, mas só nos primeiros 12 meses e até 5 € por mês (60 € no total).
  • Unibanco Clássico: campanha de boas-vindas até 200 € no primeiro ano, depois nada.
  • Santander: pontos Rewards em campanhas (por exemplo 60 € em pontos com 300 € de compras num mês).

Regra prática: 120 € por ano é o máximo que qualquer cashback devolve, e um mês de juros a 18,5 % sobre 1.500 € custa cerca de 23 €. O cashback só faz sentido para quem paga a 100 %.

Comprar online no estrangeiro: comissões de câmbio

Nas compras fora da zona euro (Amazon.com, Temu em dólares, AliExpress em moeda local, viagens), os cartões bancários tradicionais cobram uma comissão de câmbio mais uma comissão de processamento: Universo 1,635 % + 0,962 %, novobanco 1,35 % + 2,50 %, Montepio 3,75 %. O Santander não cobra câmbio até 1.000 € por mês, mas só até 30 de setembro de 2026; o ActivoBank vende o “Activo Travel” (3,99 € por 30 dias sem comissões internacionais).

Os cartões de débito das fintechs continuam a ser a opção mais barata para pagar em moeda estrangeira: Revolut Standard sem comissão até 1.000 € por mês (1 % acima e mais 1 % de sexta às 17h a domingo, hora de Nova Iorque), Wise à taxa de câmbio comercial sem margem, N26 0 % em pagamentos. Não dão crédito nem período sem juros — comparámo-los no guia dos cartões pré-pagos e virtuais para compras online.

O que diz a DECO Proteste

No comparativo de dezembro de 2025 (52 cartões de 20 instituições), a DECO concluiu que metade dos cartões cobra a taxa máxima legal e lembra que o cartão de crédito é a principal causa de sobre-endividamento das famílias que a procuram — 5,4 % dos contratos de cartão estavam em incumprimento em setembro de 2025. As escolhas públicas foram o ABANCA Silver para quem paga a 100 % (sem anuidade no primeiro ano) e o novobanco Cartão Branco (TAEG 10,6 %) para quem paga em prestações; o cartão DECO/Unicre, com TAEG de 10,5 %, é só para associados. A DECO tem um simulador gratuito que calcula o custo real com o seu padrão de pagamento.

As armadilhas mais comuns

  1. Ficar no revolving. Pagar só o mínimo mantém o saldo a render 18,5 % durante anos. Se não consegue pagar a 100 %, um crédito pessoal (máximo legal 15,3 % no mesmo trimestre) ou o cartão Branco a 10,6 % custam menos.
  2. A anuidade que volta. Santander (36 € por ano a partir do 2.º ano), novobanco (27,50 € em todos os cartões), Montepio (20 € ou 60 € se falhar o consumo mínimo), Millennium (10,40 € sem conta pacote). Marque a data em que a isenção acaba.
  3. Levantar dinheiro a crédito. Cetelem 4 € + 4,5 % + 3 %; novobanco 4 € + 4,5 % + 1,35 %; ActivoBank 4 € + 4 %; CGD e BPI cerca de 3 € a 4,50 € + 4,5 %. Nos cartões de crédito o levantamento não tem período sem juros — os juros contam desde o dia.
  4. Comissões de câmbio de 1,35 % a 3,75 % nas compras fora do euro (ver acima).
  5. Seguros e “serviços” a somar. Seguros de proteção de pagamentos, “Mais por 5 €” (Cofidis), pacotes de assistência. Alguns entram na TAEG, outros aparecem à parte no preçário — leia a FIN.
  6. Produtos que parecem cartões de crédito e não são. Cartões pré-pagos, débito diferido e BNPL têm regras e proteções diferentes.

Como pedir um cartão de crédito (e como desistir)

Os emitentes independentes (Universo, Unibanco, Cetelem, bankintercard) aceitam clientes de qualquer banco e pedem documento de identificação, NIF e IBAN; comprovativo de rendimentos só para limites mais altos (o Universo indica 5.000 €). Os bancos pedem normalmente os últimos recibos de vencimento e a declaração de IRS, e consultam a Central de Responsabilidades de Crédito do Banco de Portugal. Nenhum emitente publica um rendimento mínimo.

Depois de assinar tem 14 dias para revogar o contrato sem justificação, por escrito ou noutro suporte duradouro, devolvendo o capital usado e os juros vencidos em 30 dias — um direito de todos os contratos de crédito ao consumo. A qualquer momento pode cancelar o cartão sem custos, desde que liquide o saldo. Para comparar comissões de contas e cartões com dados oficiais, o Comparador de Comissões do Banco de Portugal é o ponto de partida neutro.

Perguntas frequentes sobre cartões de crédito em Portugal

Qual é o cartão de crédito com a TAEG mais baixa em Portugal?

Entre os cartões consultados em setembro de 2026, o novobanco Cartão Branco tem a TAEG mais baixa (10,6 %, com TAN 0 % e anuidade de 27,50 €), seguido do Millennium bcp Classic (15,4 %), do ABANCA Silver (15,7 %), do Santander (16,0 %) e do BPI Classic (16,1 %). Quase todos os restantes estão no teto legal de 18,5 %. A TAEG é calculada para um exemplo (normalmente 1.500 € a 12 meses) e muda com o limite e o prazo.

Que cartões de crédito não têm anuidade?

Sem anuidade em qualquer circunstância: Cartão Universo+, Unibanco Clássico, Cetelem Black Plus, bankintercard Gold e ActivoBank Classic. Sem anuidade com condições: Millennium Classic (Cliente Frequente ou Prestige), BPI Classic (Conta Valor), Montepio Classic (150 € de compras por mês), ABANCA Silver (1.º ano) e Santander (1.º ano, em campanha). Um cartão sem anuidade costuma compensar com a TAEG no máximo legal.

Qual é a taxa máxima que um cartão de crédito pode cobrar?

O Banco de Portugal fixa trimestralmente as taxas máximas do crédito aos consumidores. No 3.º trimestre de 2026 (1 de julho a 30 de setembro) o máximo para cartões de crédito, linhas de crédito e descobertos é uma TAEG de 18,5 %. O valor para o 4.º trimestre é publicado no início de setembro no Portal do Cliente Bancário.

O que é o pagamento mínimo e porque é perigoso?

É a percentagem do saldo em dívida que o banco exige todos os meses — normalmente 2 % a 5 %, com um mínimo de 15 € a 25 €. Pagar só o mínimo mantém a dívida a render juros durante anos: 1.300 € a 5 % por mês demoram cerca de 57 meses a liquidar e custam perto de 300 € de juros. Se puder, pague 100 % no fim do período sem juros.

Revolut, N26 e Wise são cartões de crédito?

Não. Em Portugal são cartões de débito ou pré-pagos ligados a uma conta — a Revolut confirma que não oferece cartão de crédito a residentes em Portugal. São, no entanto, a opção mais barata para compras online noutras moedas: a Revolut Standard não cobra câmbio até 1.000 € por mês (mais 1 % ao fim de semana) e a Wise usa a taxa de câmbio comercial sem margem.

Posso cancelar o cartão depois de o pedir?

Sim. Como qualquer contrato de crédito ao consumo, tem 14 dias a contar da assinatura (ou da receção do contrato) para o revogar sem justificação, por escrito ou noutro suporte duradouro, devolvendo o que tiver usado e os juros vencidos em 30 dias. Depois disso pode cancelar a qualquer momento, sem custos, liquidando o saldo.

Preciso de comprovativo de rendimentos para ter um cartão de crédito?

Depende do emitente e do limite. O Universo pede só documento de identificação e IBAN, e comprovativo de rendimentos apenas para limites acima de 5.000 €; os bancos costumam pedir os últimos recibos de vencimento e a declaração de IRS. Nenhum emitente publica um rendimento mínimo — a aprovação e o limite dependem da análise de risco e do mapa de responsabilidades do Banco de Portugal.

Leia também

Fontes e metodologia

Valores retirados a 5 de setembro de 2026 dos preçários (Aviso n.º 8/2009 do Banco de Portugal), fichas de informação normalizada e páginas de produto dos emitentes. Quando o emitente não publica um valor, a tabela diz “n/d”; o valor do Unibanco é de janeiro de 2026 porque o site não estava acessível. Não recebemos qualquer compensação dos emitentes mencionados por este artigo.

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